
Em Belo Jardim cristalizou-se a idéia de que ‘não há vida fora da sombra dos grupos políticos’.
Li por esses dias uma postagem de um amigo a respeito de uma possível união política entre João Mendonça e Moacyr da Agrolar (realidade da qual duvido piamente) e que, muito embora não deixe de ter seu valor enquanto questionamento, deixou em mim a certeza de que estamos discutindo a superfície dos fatos.
Temos assistido, nos últimos meses, uma discussão sobre a candidatura do Grupo Mendonça a prefeito em 2012 como se ao grupo só restasse a tarefa de indicar o próximo prefeito e não um candidato; como se, após a ‘guerra de foice’ pela qual passará o grupo até a convenção (creio mesmo que até o dia da eleição), não coubesse ao POVO a escolha do próximo prefeito ou, até mesmo, a recondução do atual; como se o escolhido pelo grupo fosse, simplesmente, ungido prefeito da nossa cidade.
Qualquer um dos nomes postos até o momento tem potencial para ser trabalhado e apresentado ao eleitorado como capaz de administrar (é o jogo da propaganda eleitoral).
O grande problema que o Grupo Mendonça enfrentará, após a escolha do candidato, será o enorme desgaste do atual governo que, dificilmente, reverterá a imagem negativa que tem junto à população.
Nesse quesito, um dos nomes leva uma vantagem sobre os outros. Entretanto, surge o segundo grande problema que o grupo enfrentará: A OPOSIÇÃO.
Pois é! Ela também. Ou alguém está pensando que a eleição 2012 vai ter chapa única em Belo Jardim? Mas não vai mesmo.
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Um dia Cintra Galvão deixou a sombra de Mendonção para se contrapor ao seu projeto (embora isso também seja controverso) e passou a rivalizar politicamente com o mesmo nas últimas décadas e não há hoje em Belo Jardim um único crítico do Grupo Mendonça que não tenha, em algum momento, defendido e/ou votado em Cintra ou no projeto que ele apresentava.
Como, porém, cada um de nós é um universo e cada universo tem sua verdade, as verdades de muitos (e nos colocamos entre tais) não deixam margem para a possibilidade do surgimento de um novo projeto pelo simples fato de que cada verdade existente é excludente: o projeto de Cintra exclui os Mendonça e vice-versa, o projeto de Moacyr exclui Cintra, que exclui Valdemir, que exclui Cecílio, que exclui Zé Lopes, que exclui Marco Coca-cola, que exclui João Mendonça e por aí vai... Aí, então, chega a nossa vez: Eu que excluo alguém, que exclui o outro, que exclui qualquer um que não seja ele próprio.
Temos girado em torno da destruição de nomes e/ou propostas sem nem nos darmos ao trabalho de ‘assuntar’ do que se trata; temos buscado fórmulas prontas do passado como se o novo fosse incapaz de surgir.
Todos têm o direito de pleitear uma candidatura: João Mendonça, Moacyr Cintra, Cristiano Cabeludo, Marco Coca-cola, Cecílio, Cintra, eu, o padre, Barabatan e qualquer cidadão apto a ser votado. Ponto. Outra estória é ficar esperando ‘seu rei mandou dizer’ e votar no candidato.
Seria bom que passássemos todos, logo, a questionar dentro dos dois grupos quais os rumos que serão tomados. Não é verdade que os simpatizantes (ou antipatizantes) dos dois grupos estão aguardando as decisões dos caciques? Que a eleção é democrática, mas só para votar nos candidatos deles?
Quem não estiver no aguardo das ordens, que nos siga. Não só é hora de discutir 2012, como é mais do que hora de discutir muito mais longe o futuro da nossa cidade.
Está na hora de falarem as ações.
1 comentários:
Tomara que esse texto seja de fato a volta do blog!
Parabéns, bons questionamentos!
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